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Norma ASTM B117: guia prático do ensaio de névoa salina
A norma ASTM B117 é a referência para ensaios de corrosão por névoa salina. Este guia explica os parâmetros críticos, a preparação da câmara e a leitura dos resultados, com dicas práticas para quem executa o ensaio no dia a dia.
A norma ASTM B117 ensaio de névoa salina é, na prática, o ponto de partida para qualquer avaliação de resistência à corrosão de revestimentos e materiais metálicos. Se você trabalha com especificação de pintura, galvanização ou anodização, já deve ter visto uma exigência de ensaio por névoa salina. Mas executar o teste de forma confiável vai além de ligar a câmara e esperar 24 horas. Neste guia, vou mostrar os pontos críticos da norma, como preparar os corpos de prova, operar a câmara e interpretar os resultados, tudo com uma linguagem direta de quem vive o laboratório.
O que a ASTM B117 realmente cobre
A ASTM B117, cujo título completo é Standard Practice for Operating Salt Spray (Fog) Apparatus, define o procedimento para conduzir o ensaio de corrosão por névoa salina. Ela não especifica requisitos de desempenho — ou seja, não diz quantas horas o material deve suportar. Isso fica a cargo de normas de produto, como ASTM B117 é citada em especificações de tintas, galvanização e até componentes automotivos.
A norma descreve o aparato, as condições de operação, a preparação das amostras e a forma de avaliar o resultado. A versão vigente é a ASTM B117-19, mas sempre confira a edição mais recente no site da ASTM antes de emitir relatórios. A prática é aceita internacionalmente, inclusive no Brasil, e é base para muitas normas técnicas da ABNT, como a NBR 8094, que trata de materiais metálicos revestidos.
Parâmetros essenciais do ensaio
A câmara de névoa salina deve operar em condições controladas. A norma exige que a temperatura da zona de exposição seja de 35 ± 1 °C, medida em um ponto a pelo menos 150 mm das paredes. A solução salina é preparada com cloreto de sódio (NaCl) com pureza mínima de 99%, dissolvido em água deionizada, resultando em uma concentração de 5% em massa, com tolerância de 1%.
O pH da solução coletada deve ficar entre 6,5 e 7,2, quando testado a 25 °C. O ar comprimido que alimenta o pulverizador deve ser isento de óleo e impurezas, e a pressão deve ser ajustada para que a névoa se distribua uniformemente. A taxa de coleta de solução deve ser de 1 a 2 mL/h por 80 cm² de área horizontal, conforme a Seção 7 da norma.
Preparação dos corpos de prova
A forma como você prepara as amostras influencia diretamente o resultado. A norma ASTM B117, na Seção 8, orienta que os corpos de prova sejam limpos para remover óxidos, graxas e contaminantes, sem atacar o material de base. O método de limpeza deve ser compatível com o tipo de material — por exemplo, solventes desengraxantes para aço, e soluções alcalinas suaves para alumínio.
Após a limpeza, não toque nas superfícies a serem avaliadas com as mãos nuas. Use luvas limpas ou pinças. Se o material tiver cortes ou bordas, elas devem ser protegidas com uma fita ou cera apropriada, a menos que a norma de produto indique o contrário. Isso evita que a corrosão comece em pontos não representativos da aplicação real.
Operação da câmara de névoa salina
Antes de iniciar o ensaio, a câmara deve ser estabilizada nas condições da norma por pelo menos 24 horas, conforme a Seção 6. Durante esse período, verifique a temperatura, a pressão do ar e a taxa de coleta. A câmara deve ser construída com materiais inertes à névoa salina, como plásticos ou aço revestido, e o teto deve ter inclinação suficiente para que as gotas não gotejem sobre as amostras.
A disposição das amostras deve permitir que a névoa atinja todas as superfícies. Não coloque os corpos de prova em contato entre si ou com qualquer metal que não seja o da própria amostra. O ângulo de inclinação das amostras em relação à vertical deve ser de 15° a 30°, conforme a Seção 8.3. A coleta da solução é feita com funis de vidro ou plástico, posicionados perto das amostras, para monitorar a taxa e o pH ao longo do ensaio.
Como fazer teste de névoa salina ASTM B117: passo a passo
- Limpeza das amostras – desengraxe e seque, sem deixar resíduos.
- Mascaramento – proteja bordas e áreas de contato com fita ou cera.
- Estabilização da câmara – ligue o sistema e ajuste temperatura, pH e coleta por 24 h.
- Posicionamento – coloque as amostras com inclinação de 15° a 30°, sem contato entre elas.
- Início do ensaio – feche a câmara e mantenha a névoa contínua durante o período definido.
- Monitoramento – meça a coleta e o pH diariamente; ajuste se necessário.
- Retirada e avaliação – ao final, lave as amostras com água deionizada, seque e avalie conforme o critério.
Avaliação dos resultados
A ASTM B117 não estabelece critérios de avaliação — isso é definido na norma de produto ou em acordo entre cliente e fornecedor. Os critérios mais comuns são o tempo até o primeiro ponto de corrosão, a área corroída em porcentagem, ou a classificação visual segundo a ISO 10289 (método de avaliação de revestimentos após ensaio de névoa salina).
Ao final do ensaio, as amostras devem ser lavadas com água corrente, secas e fotografadas imediatamente. Em muitos casos, é necessário fazer uma limpeza química suave para remover produtos de corrosão aderentes, mas isso só se estiver previsto no critério. O relatório deve registrar todos os parâmetros da câmara, a duração, e a condição das amostras, conforme a Seção 11.
Cuidados e armadilhas comuns
Um erro frequente é usar água com alta dureza ou sal não especificado, o que altera o pH e a condutividade. Outro é não verificar a taxa de coleta antes de iniciar, o que leva a resultados não comparáveis. Lembre-se: a norma ASTM B117 câmara de névoa salina procedimento é uma prática, não um teste de produto — o tempo de exposição deve ser definido com base na especificação técnica, não por achismo.
Além disso, a câmara deve ser limpa regularmente para evitar contaminação cruzada. Resíduos de ensaios anteriores podem conter íons diferentes que alteram o comportamento corrosivo. Mantenha um registro de calibração dos instrumentos de temperatura e pH, e participe de ensaios interlaboratoriais quando possível.
Takeaway final
Dominar a norma ASTM B117 ensaio de corrosão névoa salina é essencial para gerar dados confiáveis e comparáveis. O ensaio parece simples, mas exige controle rigoroso de temperatura, pH, concentração e coleta. Ao seguir os parâmetros da norma e registrar tudo corretamente, você evita retrabalho e garante que seus resultados sejam aceitos por clientes e auditores.
Se você ainda não tem uma câmara própria, considere terceirizar o ensaio em laboratórios acreditados. Mas, mesmo assim, saiba interpretar o relatório e verificar se os parâmetros da ASTM B117 foram cumpridos. Corrosão é um processo lento, mas os efeitos de um ensaio mal conduzido aparecem rápido — e podem custar caro.
Perguntas frequentes
Qual a duração típica de um ensaio ASTM B117?
A norma não fixa duração. O tempo é definido pela especificação do produto, sendo comum 24, 48, 96, 240 ou 500 horas. O ensaio deve ser contínuo, sem interrupções, salvo indicação contrária.
Qual a concentração de sal na solução?
A solução deve ter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, ou seja, entre 4% e 6%. O pH deve estar entre 6,5 e 7,2 a 25 °C.
Como preparar a solução salina?
Dissolva 5 g de NaCl em 95 g de água deionizada. Use sal com pureza mínima de 99%. Meça o pH e ajuste, se necessário, com ácido clorídrico diluído ou hidróxido de sódio, mas sempre dentro dos limites da norma.
Posso usar a ASTM B117 para aço inoxidável?
Sim, mas o ensaio é severo e pode não refletir o desempenho real em atmosfera. Para aços inoxidáveis, muitos usam a norma ASTM G48 (pites) ou ensaios cíclicos. A ASTM B117 é mais indicada para revestimentos sacrificiais e pinturas.
A ASTM B117 é aceita no Brasil?
Sim, é amplamente usada em indústrias automotiva, de tintas e de galvanização. A ABNT tem a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117, mas a norma ASTM é citada diretamente em muitas especificações técnicas.
Fatos principais
Afirmações legíveis por máquina extraídas das fontes acima. Cada fato mantém o mesmo identificador nas seis versões de idioma.
Procedimento para ensaio de névoa salina; não especifica requisitos de desempenho
A norma ASTM B117 define o procedimento para conduzir o ensaio de corrosão por névoa salina, mas não especifica requisitos de desempenho.
ID do fato:
astm_b117_scope35 ± 1 °C
A temperatura da zona de exposição na câmara de névoa salina deve ser de 35 ± 1 °C, medida a pelo menos 150 mm das paredes.
ID do fato:
temperature_requirement5% ± 1% em massa, pureza mínima de 99%
A solução salina deve conter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, e o sal deve ter pureza mínima de 99%.
ID do fato:
nacl_concentration6,5 a 7,2 a 25 °C
O pH da solução coletada deve estar entre 6,5 e 7,2, quando testado a 25 °C.
ID do fato:
ph_range1 a 2 mL/h por 80 cm²
A taxa de coleta de solução deve ser de 1 a 2 mL/h por 80 cm² de área horizontal, conforme a Seção 7 da norma.
ID do fato:
collection_rate15° a 30°
As amostras devem ser posicionadas com inclinação de 15° a 30° em relação à vertical, conforme a Seção 8.3.
ID do fato:
sample_angle24 horas
A câmara deve ser estabilizada nas condições da norma por pelo menos 24 horas antes de iniciar o ensaio, conforme a Seção 6.
ID do fato:
stabilization_timeDuração não fixada; definida pela especificação
A norma ASTM B117 não fixa a duração do ensaio; o tempo é definido pela especificação do produto, sendo comuns 24, 48, 96, 240 ou 500 horas.
ID do fato:
no_duration_definedCritérios definidos em normas de produto ou acordo
A ASTM B117 não estabelece critérios de avaliação; eles são definidos em normas de produto ou acordo entre cliente e fornecedor.
ID do fato:
evaluation_criteriaAceita no Brasil; base para NBR 8094
A ASTM B117 é amplamente usada no Brasil, e a ABNT possui a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117.
ID do fato:
brazilian_acceptance
Perguntas frequentes
Qual a duração típica de um ensaio ASTM B117?
A norma não fixa duração. O tempo é definido pela especificação do produto, sendo comum 24, 48, 96, 240 ou 500 horas. O ensaio deve ser contínuo, sem interrupções, salvo indicação contrária.
Qual a concentração de sal na solução?
A solução deve ter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, ou seja, entre 4% e 6%. O pH deve estar entre 6,5 e 7,2 a 25 °C.
Como preparar a solução salina?
Dissolva 5 g de NaCl em 95 g de água deionizada. Use sal com pureza mínima de 99%. Meça o pH e ajuste, se necessário, com ácido clorídrico diluído ou hidróxido de sódio, mas sempre dentro dos limites da norma.
Posso usar a ASTM B117 para aço inoxidável?
Sim, mas o ensaio é severo e pode não refletir o desempenho real em atmosfera. Para aços inoxidáveis, muitos usam a norma ASTM G48 (pites) ou ensaios cíclicos. A ASTM B117 é mais indicada para revestimentos sacrificiais e pinturas.
A ASTM B117 é aceita no Brasil?
Sim, é amplamente usada em indústrias automotiva, de tintas e de galvanização. A ABNT tem a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117, mas a norma ASTM é citada diretamente em muitas especificações técnicas.