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Norma ASTM B117: guia prático do ensaio de névoa salina

A norma ASTM B117 é a referência para ensaios de corrosão por névoa salina. Este guia explica os parâmetros críticos, a preparação da câmara e a leitura dos resultados, com dicas práticas para quem executa o ensaio no dia a dia.

Publicado
Atualizado
Gustavo Fonseca Engenheiro de Qualidade Equipa editorial
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A norma ASTM B117 ensaio de névoa salina é, na prática, o ponto de partida para qualquer avaliação de resistência à corrosão de revestimentos e materiais metálicos. Se você trabalha com especificação de pintura, galvanização ou anodização, já deve ter visto uma exigência de ensaio por névoa salina. Mas executar o teste de forma confiável vai além de ligar a câmara e esperar 24 horas. Neste guia, vou mostrar os pontos críticos da norma, como preparar os corpos de prova, operar a câmara e interpretar os resultados, tudo com uma linguagem direta de quem vive o laboratório.

O que a ASTM B117 realmente cobre

A ASTM B117, cujo título completo é Standard Practice for Operating Salt Spray (Fog) Apparatus, define o procedimento para conduzir o ensaio de corrosão por névoa salina. Ela não especifica requisitos de desempenho — ou seja, não diz quantas horas o material deve suportar. Isso fica a cargo de normas de produto, como ASTM B117 é citada em especificações de tintas, galvanização e até componentes automotivos.

A norma descreve o aparato, as condições de operação, a preparação das amostras e a forma de avaliar o resultado. A versão vigente é a ASTM B117-19, mas sempre confira a edição mais recente no site da ASTM antes de emitir relatórios. A prática é aceita internacionalmente, inclusive no Brasil, e é base para muitas normas técnicas da ABNT, como a NBR 8094, que trata de materiais metálicos revestidos.

Parâmetros essenciais do ensaio

A câmara de névoa salina deve operar em condições controladas. A norma exige que a temperatura da zona de exposição seja de 35 ± 1 °C, medida em um ponto a pelo menos 150 mm das paredes. A solução salina é preparada com cloreto de sódio (NaCl) com pureza mínima de 99%, dissolvido em água deionizada, resultando em uma concentração de 5% em massa, com tolerância de 1%.

O pH da solução coletada deve ficar entre 6,5 e 7,2, quando testado a 25 °C. O ar comprimido que alimenta o pulverizador deve ser isento de óleo e impurezas, e a pressão deve ser ajustada para que a névoa se distribua uniformemente. A taxa de coleta de solução deve ser de 1 a 2 mL/h por 80 cm² de área horizontal, conforme a Seção 7 da norma.

Preparação dos corpos de prova

A forma como você prepara as amostras influencia diretamente o resultado. A norma ASTM B117, na Seção 8, orienta que os corpos de prova sejam limpos para remover óxidos, graxas e contaminantes, sem atacar o material de base. O método de limpeza deve ser compatível com o tipo de material — por exemplo, solventes desengraxantes para aço, e soluções alcalinas suaves para alumínio.

Após a limpeza, não toque nas superfícies a serem avaliadas com as mãos nuas. Use luvas limpas ou pinças. Se o material tiver cortes ou bordas, elas devem ser protegidas com uma fita ou cera apropriada, a menos que a norma de produto indique o contrário. Isso evita que a corrosão comece em pontos não representativos da aplicação real.

Operação da câmara de névoa salina

Antes de iniciar o ensaio, a câmara deve ser estabilizada nas condições da norma por pelo menos 24 horas, conforme a Seção 6. Durante esse período, verifique a temperatura, a pressão do ar e a taxa de coleta. A câmara deve ser construída com materiais inertes à névoa salina, como plásticos ou aço revestido, e o teto deve ter inclinação suficiente para que as gotas não gotejem sobre as amostras.

A disposição das amostras deve permitir que a névoa atinja todas as superfícies. Não coloque os corpos de prova em contato entre si ou com qualquer metal que não seja o da própria amostra. O ângulo de inclinação das amostras em relação à vertical deve ser de 15° a 30°, conforme a Seção 8.3. A coleta da solução é feita com funis de vidro ou plástico, posicionados perto das amostras, para monitorar a taxa e o pH ao longo do ensaio.

Como fazer teste de névoa salina ASTM B117: passo a passo

  1. Limpeza das amostras – desengraxe e seque, sem deixar resíduos.
  2. Mascaramento – proteja bordas e áreas de contato com fita ou cera.
  3. Estabilização da câmara – ligue o sistema e ajuste temperatura, pH e coleta por 24 h.
  4. Posicionamento – coloque as amostras com inclinação de 15° a 30°, sem contato entre elas.
  5. Início do ensaio – feche a câmara e mantenha a névoa contínua durante o período definido.
  6. Monitoramento – meça a coleta e o pH diariamente; ajuste se necessário.
  7. Retirada e avaliação – ao final, lave as amostras com água deionizada, seque e avalie conforme o critério.

Avaliação dos resultados

A ASTM B117 não estabelece critérios de avaliação — isso é definido na norma de produto ou em acordo entre cliente e fornecedor. Os critérios mais comuns são o tempo até o primeiro ponto de corrosão, a área corroída em porcentagem, ou a classificação visual segundo a ISO 10289 (método de avaliação de revestimentos após ensaio de névoa salina).

Ao final do ensaio, as amostras devem ser lavadas com água corrente, secas e fotografadas imediatamente. Em muitos casos, é necessário fazer uma limpeza química suave para remover produtos de corrosão aderentes, mas isso só se estiver previsto no critério. O relatório deve registrar todos os parâmetros da câmara, a duração, e a condição das amostras, conforme a Seção 11.

Cuidados e armadilhas comuns

Um erro frequente é usar água com alta dureza ou sal não especificado, o que altera o pH e a condutividade. Outro é não verificar a taxa de coleta antes de iniciar, o que leva a resultados não comparáveis. Lembre-se: a norma ASTM B117 câmara de névoa salina procedimento é uma prática, não um teste de produto — o tempo de exposição deve ser definido com base na especificação técnica, não por achismo.

Além disso, a câmara deve ser limpa regularmente para evitar contaminação cruzada. Resíduos de ensaios anteriores podem conter íons diferentes que alteram o comportamento corrosivo. Mantenha um registro de calibração dos instrumentos de temperatura e pH, e participe de ensaios interlaboratoriais quando possível.

Takeaway final

Dominar a norma ASTM B117 ensaio de corrosão névoa salina é essencial para gerar dados confiáveis e comparáveis. O ensaio parece simples, mas exige controle rigoroso de temperatura, pH, concentração e coleta. Ao seguir os parâmetros da norma e registrar tudo corretamente, você evita retrabalho e garante que seus resultados sejam aceitos por clientes e auditores.

Se você ainda não tem uma câmara própria, considere terceirizar o ensaio em laboratórios acreditados. Mas, mesmo assim, saiba interpretar o relatório e verificar se os parâmetros da ASTM B117 foram cumpridos. Corrosão é um processo lento, mas os efeitos de um ensaio mal conduzido aparecem rápido — e podem custar caro.

Perguntas frequentes

Qual a duração típica de um ensaio ASTM B117?

A norma não fixa duração. O tempo é definido pela especificação do produto, sendo comum 24, 48, 96, 240 ou 500 horas. O ensaio deve ser contínuo, sem interrupções, salvo indicação contrária.

Qual a concentração de sal na solução?

A solução deve ter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, ou seja, entre 4% e 6%. O pH deve estar entre 6,5 e 7,2 a 25 °C.

Como preparar a solução salina?

Dissolva 5 g de NaCl em 95 g de água deionizada. Use sal com pureza mínima de 99%. Meça o pH e ajuste, se necessário, com ácido clorídrico diluído ou hidróxido de sódio, mas sempre dentro dos limites da norma.

Posso usar a ASTM B117 para aço inoxidável?

Sim, mas o ensaio é severo e pode não refletir o desempenho real em atmosfera. Para aços inoxidáveis, muitos usam a norma ASTM G48 (pites) ou ensaios cíclicos. A ASTM B117 é mais indicada para revestimentos sacrificiais e pinturas.

A ASTM B117 é aceita no Brasil?

Sim, é amplamente usada em indústrias automotiva, de tintas e de galvanização. A ABNT tem a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117, mas a norma ASTM é citada diretamente em muitas especificações técnicas.

Fatos principais

Afirmações legíveis por máquina extraídas das fontes acima. Cada fato mantém o mesmo identificador nas seis versões de idioma.

  • Procedimento para ensaio de névoa salina; não especifica requisitos de desempenho

    A norma ASTM B117 define o procedimento para conduzir o ensaio de corrosão por névoa salina, mas não especifica requisitos de desempenho.

    ID do fato: astm_b117_scope

  • 35 ± 1 °C

    A temperatura da zona de exposição na câmara de névoa salina deve ser de 35 ± 1 °C, medida a pelo menos 150 mm das paredes.

    ID do fato: temperature_requirement

  • 5% ± 1% em massa, pureza mínima de 99%

    A solução salina deve conter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, e o sal deve ter pureza mínima de 99%.

    ID do fato: nacl_concentration

  • 6,5 a 7,2 a 25 °C

    O pH da solução coletada deve estar entre 6,5 e 7,2, quando testado a 25 °C.

    ID do fato: ph_range

  • 1 a 2 mL/h por 80 cm²

    A taxa de coleta de solução deve ser de 1 a 2 mL/h por 80 cm² de área horizontal, conforme a Seção 7 da norma.

    ID do fato: collection_rate

  • 15° a 30°

    As amostras devem ser posicionadas com inclinação de 15° a 30° em relação à vertical, conforme a Seção 8.3.

    ID do fato: sample_angle

  • 24 horas

    A câmara deve ser estabilizada nas condições da norma por pelo menos 24 horas antes de iniciar o ensaio, conforme a Seção 6.

    ID do fato: stabilization_time

  • Duração não fixada; definida pela especificação

    A norma ASTM B117 não fixa a duração do ensaio; o tempo é definido pela especificação do produto, sendo comuns 24, 48, 96, 240 ou 500 horas.

    ID do fato: no_duration_defined

  • Critérios definidos em normas de produto ou acordo

    A ASTM B117 não estabelece critérios de avaliação; eles são definidos em normas de produto ou acordo entre cliente e fornecedor.

    ID do fato: evaluation_criteria

  • Aceita no Brasil; base para NBR 8094

    A ASTM B117 é amplamente usada no Brasil, e a ABNT possui a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117.

    ID do fato: brazilian_acceptance

Perguntas frequentes

Qual a duração típica de um ensaio ASTM B117?

A norma não fixa duração. O tempo é definido pela especificação do produto, sendo comum 24, 48, 96, 240 ou 500 horas. O ensaio deve ser contínuo, sem interrupções, salvo indicação contrária.

Qual a concentração de sal na solução?

A solução deve ter 5% de cloreto de sódio em massa, com tolerância de 1%, ou seja, entre 4% e 6%. O pH deve estar entre 6,5 e 7,2 a 25 °C.

Como preparar a solução salina?

Dissolva 5 g de NaCl em 95 g de água deionizada. Use sal com pureza mínima de 99%. Meça o pH e ajuste, se necessário, com ácido clorídrico diluído ou hidróxido de sódio, mas sempre dentro dos limites da norma.

Posso usar a ASTM B117 para aço inoxidável?

Sim, mas o ensaio é severo e pode não refletir o desempenho real em atmosfera. Para aços inoxidáveis, muitos usam a norma ASTM G48 (pites) ou ensaios cíclicos. A ASTM B117 é mais indicada para revestimentos sacrificiais e pinturas.

A ASTM B117 é aceita no Brasil?

Sim, é amplamente usada em indústrias automotiva, de tintas e de galvanização. A ABNT tem a NBR 8094, que é baseada na ASTM B117, mas a norma ASTM é citada diretamente em muitas especificações técnicas.

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